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Histórias
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Aos 75 anos, José Moreira transforma lembranças da infância e da vida no campo em miniaturas em Sidrolândia

Por Arsênio Martins e Chrystian Martins Fonte: Aqui é Destaque
Histórias

José Moreira ao lado de sua esposa Gertrudes Maria de Souza Moreira

Depois de trabalhar por cerca de 45 anos como pedreiro, mineiro encontrou na produção de miniaturas uma atividade para ocupar o tempo após a aposentadoria. Casado há aproximadamente 50 anos, ele vive em Sidrolândia desde 2006.

A história de José Alves Moreira é marcada pelo trabalho na construção civil, pelas lembranças da infância em Minas Gerais e pela ligação com a vida no campo. Nascido em 20 de janeiro de 1951, ele tem 75 anos e mora em Sidrolândia desde 2006, onde encontrou nas miniaturas uma maneira de reproduzir objetos e momentos que fizeram parte de sua trajetória.

Natural de Minas Gerais, José passou a infância no município de Januária, onde cresceu em uma família que trabalhava na roça. Segundo ele, desde pequeno ajudava nas atividades do campo. Entre as tarefas estavam buscar lenha, trabalhar na plantação e auxiliar a família na preparação dos alimentos.

Naquela época, a família enfrentava dificuldades financeiras. José lembra que era necessário caminhar para trabalhar e carregar lenha para preparar as refeições. Também recorda dos utensílios utilizados pela mãe na cozinha, como os caldeirões de ferro e os instrumentos usados para fazer cuscuz.

Já adulto, mudou-se para Mato Grosso do Sul e trabalhou durante muitos anos como pedreiro em Bodoquena. Ele conta que aprendeu a profissão trabalhando como ajudante de um construtor. Com o tempo, adquiriu experiência e começou a assumir seus próprios serviços ao lado do irmão Joaquim.

Durante aproximadamente 45 anos na profissão, José participou da construção de casas, fazendas e igrejas. Ele estima que tenha ajudado a construir mais de mil imóveis ao longo da carreira.

Foi também em Bodoquena que José construiu sua família. Ele é casado com Gertrudes Maria de Souza Moreira, natural de São Paulo (SP), nascida em 8 de março de 1952. Os dois se casaram no município sul-mato-grossense na época Campão e estão juntos há aproximadamente 50 anos.

O casal tem quatro filhos: três mulheres e um homem. O filho também trabalha como pedreiro, seguindo a profissão do pai, mas possui limitações de visão.

Depois de trabalhar também em Sidrolândia, José decidiu se aposentar. Foi nesse período que começou a procurar uma atividade para ocupar o tempo. Por orientação médica, passou a trabalhar com madeira, inicialmente produzindo cadeiras e mesas.

Aos poucos, começou a fazer miniaturas. A inspiração vinha das lembranças da infância, dos trabalhos realizados nas fazendas e dos objetos que conheceu ao longo da vida.

Entre as peças produzidas estão fogões a lenha, panelas, máquinas de costura, ferros de passar roupa, lamparinas, arados e engenhos. Também construiu miniaturas de casas, igrejas, bandas musicais e estruturas utilizadas no manejo do gado.

Uma das produções representa um engenho de cana-de-açúcar, atividade que José conheceu ainda criança, quando ajudava o pai. Outra reproduz um mangueiro semelhante ao que teve quando trabalhou em uma propriedade rural no assentamento Canaã.

O trabalho também reúne histórias da família. José produziu uma miniatura de uma cachorrinha chamada Flor, que pertencia à sua filha e morreu após enfrentar um problema de saúde. A peça foi feita como homenagem ao animal e emocionou a filha quando ela viu o resultado.

Outra produção é composta por máquinas de costura, feitas em referência à esposa e à mãe. Ele também construiu uma banda musical em miniatura, com músicos, instrumentos e equipamentos de som.

Para produzir as peças, José utiliza madeira, latinhas de bebidas e outros materiais que consegue adaptar. Algumas construções exigem vários dias de trabalho. Uma casa em miniatura, por exemplo, pode levar cerca de quatro dias para ficar pronta.

Atualmente, ele mantém um pequeno espaço de trabalho em casa, onde passa parte do dia produzindo. Seus trabalhos também são apresentados em vídeos publicados no TikTok, com a ajuda de familiares.

Aos 75 anos, José continua reproduzindo nas miniaturas aquilo que viveu e conheceu. As peças reúnem lembranças de Minas Gerais, dos anos de trabalho em Bodoquena, da família que construiu e da vida que mantém em Sidrolândia.

Clique aqui para assistir à nossa reportagem no Youtube.

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