José Gomes vai fazer 80 anos; foi porteiro de escola e até hoje recebe carinho dos alunos em Bodoquena
Hoje vamos contar a história do senhor José Gomes. Ele nasceu em Lavínia, SP, em 15 de maio de 1945.
José Gomes também é conhecido como José Matias, nome que era de seu pai. Os alunos também o chamavam de "Zé da Escola" devido ao seu trabalho como porteiro.
Gomes casou-se com a senhora Valdecir Maria dos Santos Gomes, conhecida como Dona Valdira, uma viúva que tinha seis filhas. Com ela, ele teve dois filhos.
José Gomes nos contou que, quando veio para Bodoquena, o local ainda não era uma cidade.
No início, ficou em Miranda, enquanto seu pai veio antes para conseguir um terreno na Colônia.
Na época, seu pai conseguiu um terreno que estava em litígio, pois um fazendeiro alegava ser o verdadeiro proprietário.
Mesmo com o passar dos anos, José lembra bem desse conflito e conta que, apesar da pouca idade, ajudou a construir um campo de pouso para aviões, o que foi decisivo mais tarde para que ele e sua família se fixassem definitivamente na terra onde viveram por décadas.
José conta que, em determinado dia, foi despejado de suas terras.
Na época, ao tomar conhecimento do despejo, o deputado Antônio Mendes Canale fez o primeiro pouso de avião na pista construída pelos colonos e interveio a favor deles, pondo fim ao despejo.
Ele também nos contou que, quando se mudou para Bodoquena, na antiga Colônia, os pertences da família foram transportados em uma carroça. José lembra bem desse dia difícil, mas divertido, pois ele e seu irmão ora estavam em cima da carroça, ora correndo pela estrada.
Contou ainda à equipe do Aqui é Destaque que a carroça do senhor Botinha, que os trouxe, não conseguiu chegar até o sítio, e que os pertences da família tiveram que ser carregados por mais de 15 km nas costas, pois não havia estrada até o local onde fixaram moradia.
José também trabalhou na construção da escola João Pedro Pedrossian como servente de pedreiro e, por mais de três décadas, atuou como zelador, porteiro e, por fim, aposentou-se como inspetor de alunos.
Ele fala com carinho dos alunos, pois fez amizade com todos.
José Gomes conta que, no dia em que soube que estava aposentado, havia acabado de assinar o ponto e, ao receber a notícia, disse ao secretário: "Já que assinei o ponto, vou ficar até o fim do expediente", demonstrando seu amor pela escola.
José também contou que seu pai construiu uma igreja em seu sítio e lembra que a mesa onde eram realizados os cultos era feita de uma pedra de cerca de um metro, encontrada por seu pai no córrego José Augusto.
Mais tarde, José também doou um terreno para a construção de uma igreja maior, que existe até hoje: a Congregação Cristã no Brasil. A igreja foi construída na época com a ajuda de irmãos do estado de São Paulo.
José Gomes se considera um homem realizado e não quer se mudar de Bodoquena, pois foi ali que construiu sua família e cultivou grandes amizades, inclusive com ex-alunos da escola onde trabalhou.
Algumas vezes, ele não lembra de imediato da fisionomia de seus antigos alunos, mas se alegra ao ser reconhecido por eles.
Você conhece o José Gomes ou estudou na escola quando ele trabalhava lá?
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