MPMS pede investigação sobre listas de boicote a empresas por motivos políticos em MS
O Ministério Público de Mato Grosso do Sul solicitou à Polícia Civil a abertura de um inquérito para investigar a criação e a divulgação de listas de empresas e profissionais que seriam alvo de boicote por posicionamentos políticos, em Dourados. A investigação também deve apurar possíveis ameaças de demissão e constrangimentos contra trabalhadores por causa de suas escolhas eleitorais.
O pedido foi assinado nesta quinta-feira (29) pelo promotor de Justiça João Linhares. Entre os possíveis crimes a serem apurados estão perseguição, incitação ao crime e associação criminosa. A Polícia Civil deverá identificar os responsáveis pelas listas e ouvir empresários, trabalhadores e representantes da Associação Comercial de Dourados.
Entre os casos citados está o de Francisca Felisbela Barros, conhecida como Bella Barros. Ela repercutiu nas redes sociais após afirmar que havia demitido um funcionário e que pretendia dispensar outros oito. Posteriormente, publicou um vídeo pedindo desculpas e negou que trabalhadores tivessem sido demitidos ou que houvesse planos de novas dispensas. O vereador Franklin Schmalz, que denunciou o caso, também deverá prestar esclarecimentos.
Situações semelhantes foram relatadas em outros municípios de Mato Grosso do Sul, como Camapuã e Jardim, onde listas com nomes de comerciantes e profissionais circularam nas redes sociais e em grupos de mensagens, incentivando boicotes por divergências políticas. Também houve repercussão de declarações de uma empresária ligada a franquias de O Boticário no Estado, que desejou que eleitores do PT passassem fome. O Ministério Público do Trabalho confirmou que apura registros relacionados ao caso.
A investigação deverá verificar se houve ameaças, perseguição ou prejuízos a comerciantes e trabalhadores por causa de suas posições políticas. Até o momento, a abertura do inquérito tem como objetivo esclarecer os fatos e identificar possíveis responsáveis.