Natalino Werdemberg: a história de superação do desbravador que assumiu a família aos 15 anos e viu o progresso de Bodoquena
Nós sempre destacamos aqui histórias de pessoas que, com coragem e fé, ajudaram a construir a nossa região. Hoje, o Aqui é Destaque tem a honra de contar a trajetória de Natalino Werdemberg, um homem cuja vida se confunde com a própria história de desbravamento de Bodoquena.
Natalino nasceu em 25 de dezembro de 1952, filho de Eugênio Werdemberg e Faustina da Conceição Werdemberg. Seu pai, Sr. Eugênio, foi um verdadeiro pioneiro: deixou a Europa (vindo da Alemanha, com referências à capital suíça, Berna) e chegou ao então Distrito de Dr. Arnaldo de Figueiredo em 8 de julho de 1945. Foi nessa terra que ele uniu sua vida à de Dona Faustina, que vinha da vizinha cidade de Bonito.
A lembrança que Natalino guarda dos pais é de um trabalho árduo e de pura subsistência na "invasão" das terras que dariam origem a Bodoquena. Sr. Eugênio desbravava a roça, fazia rapaduras para vender em Miranda ou Bonito e vivia da caça. Naquela época, a economia era baseada na troca: o couro dos porcos do mato era permutado por metros de tecido (chitas) para fazer roupas e por alimentos que a terra não produzia.
A vida de Natalino mudou drasticamente aos 15 anos. Uma pandemia de febre amarela assolou a região e levou seu pai, Sr. Eugênio. Sendo o filho mais velho, o jovem Natalino não teve tempo para o luto; ele precisou assumir a responsabilidade de ser o provedor da casa, garantindo o sustento de seus 6 irmãos.
Ele recorda que, naquela época, o trabalho era pesado, diárias e empreitas, e o pagamento não vinha em dinheiro, mas sim em troca de alimentos. Essa garra foi o que manteve a família unida e alimentada nos momentos mais difíceis.
Há 51 anos, Natalino mora no sítio que herdou de seu pai. Dali, ele foi testemunha ocular da história: viu a saída das antigas colônias e a chegada da industrialização que transformou a região.
Pai de cinco filhos, Eugênio Werdemberg Neto, Ione, Ivone (in memoriam), Eduardo e Fabiano, ele transmitiu a eles o valor do trabalho honesto.
Mesmo com o avançar da idade e as limitações físicas, Natalino é categórico ao dizer que jamais pensou em deixar a lida no campo. "Não passa por minha cabeça parar", afirma ele, demonstrando o espírito resiliente de quem tem as raízes profundamente fincadas no solo sul-mato-grossense.
Assim como outros grandes cidadãos que ajudaram a formar Bodoquena, a história de Natalino Werdemberg é um registro vivo de dedicação e amor à família.
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