contato
880X150PX
Cidades
Compartilhar:

Morador de Sidrolândia, Manoel sempre trabalhou em fazendas e, aos 83, disse que se pudesse voltar no tempo não mudaria de profissão

Por Arsênio Martins / Chrystian Martins Fonte: Aqui é Destaque
Cidades

Foto: Chrystian Martins

Hoje o senhor Manoel Pereira Machado é o típico peão boiadeiro, que mesmo com o passar dos anos vive apaixonado pela profissão.

Com 83 anos, já aposentado e morando na cidade, fala com orgulho do tempo em que vivia e trabalhava em fazendas.

O Sr. Manoel nasceu em Bonito, MS, na época do antigo Mato Grosso, no dia 10 de maio de 1942, na região onde hoje está a Fazenda São Geraldo, fazenda que também foi onde teve o seu primeiro emprego e também foi onde se casou com a senhora Maria Leonarda Pereira, com quem teve 3 filhos: 2 mulheres e um homem já falecido.

Seu Manoel conta que, na sua infância em Bonito, trabalhava com o pai e que, desde jovem, por ser o 1º dos 14 irmãos, tinha que trabalhar para ajudar a criar os mais novos.

Com o pai, trabalhava tirando madeira para fazer postes de cerca.

Ele lembra que o trabalho era todo manual, pois naquela época não tinha serras elétricas, e o trabalho era feito no machado e serras tipo traçador. Ele disse que trabalhou com o pai até se tornar um "homenzinho", referindo-se a sair da adolescência e se tornar um homem de maior idade.

De Bonito, ele lembra com carinho dos amigos e histórias, como a do Senhorsinho, o lendário homem que fez uma profecia de uma possível destruição da cidade e que construiu uma capela em um sítio que ele afirma, na época, pertencer ao seu avô.
Seu Manoel conta que o Senhorsinho era como uma sombra e que só aparecia pra quem ele queria.

Seu Manoel contou à equipe do Aqui é Destaque que aprendeu a trabalhar como boiadeiro com Olívio Barbiere, que ele define como aquidauanense bom de laço e madrugador, que não perdia a hora pra pegar no trabalho — um verdadeiro peão profissional.

Seu Manoel também fala com orgulho de todos os patrões com quem trabalhou na vida. Disse que, na sua época, os peões trabalhavam pra fazer nome, afirmando que os peões de sua época sentiam orgulho em ser considerados bons peões.

E, por isso, se esforçavam ao máximo para fazer as coisas sempre bem feitas.
Já em Sidrolândia, disse ter chegado no ano de 1984, quando a cidade era muito pequena e tinha poucas ruas.

Lembra que, no dia em que veio em busca de trabalho, se hospedou em uma pequena pousada na avenida que hoje se chama Dorvalino dos Santos.

Em Sidrolândia, teve a oportunidade de trabalhar na Fazenda JS, onde fez curso de inseminador, que, devido a ter pouco estudo, não queria fazer, mas que depois se apaixonou pelo ofício.

Com relação ao estudo, disse que nunca frequentou escola, que o pouco que aprendeu foi pelos galpões das fazendas com aqueles peões que sabiam um pouco.

Em Sidrolândia, também trabalhou em outras fazendas e também como leiteiro.
Ele conta que, após sair da última fazenda em que trabalhou, investiu suas economias em algumas vacas e alugou uma chácara próxima à cidade, e por muitos anos, todos os dias, ia até essa chácara, tirava o leite e depois saía pela cidade vendendo.

Ele afirma que, no início, foi lucrativo, chegava a comprar uma vaca por mês, mas com o passar dos anos não compensou mais e ele deixou a atividade.

Hoje ele vive na cidade e sua rotina é mais tranquila. Passa o tempo sentado em frente à sua casa, onde compartilha um bom bate-papo com sua esposa e os amigos que passam por ali.

Seu Manoel é amigo de todos. Ele até brincou, dizendo: "Não tenho inimigos. Quem passa aí e não me ergue a mão e fala comigo é porque me deve leite!" — caindo na gargalhada.

E você, conhece o seu Manoel ou alguém que tenha uma história parecida?
Deixe seu comentário.

Compartilhar: