Em extinção, resiliência do gado pantaneiro será estudada para preservar onças
Gado pantaneiro terá sua resiliência analisada no processo de coexistência com as onças-pintadas. (Foto: Mário Haberfeld)
Uma das raças mais antigas da pecuária, o gado pantaneiro, que está em extinção, será aliado do seu predador, a onça-pintada. Um estudo que promete analisar a resiliência da espécie na coexistência com um dos maiores felinos do mundo começa a ser feito em duas reservas no Pantanal.
Pesquisadores da UEMS (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul) e a ONG (Organização Não Governamental) Onçafari vão tentar mostrar cientificamente que a raça tem um comportamento natural de proteção contra investidas das onças-pintadas, se comparado com a raça nelore. O diretor de operações do Onçafari, João Almeida, explica que o objetivo é garantir a conservação das onças-pintadas que também estão ameaçadas de extinção.
“Um dos maiores problemas é a caça dos fazendeiros. Eles têm uma percepção superestimada da espécie, que preda os bovino e que para eles causam prejuízo econômico”, justifica. Como o boi pantaneiro tem um instinto mais agressivo e mais eficiente na proteção do rebanho em ataques de onças, a taxa de predação chega a zero em alguns rebanhos da espécie. É justamente este o experimento científico que deve comprovar e valorizar esta raça bovina.
“Estamos investindo em manejo de gado pantaneiro em duas reservas, uma no Pantanal do Mato Grosso e outra no Mato Grosso do Sul.
Nelas vamos fazer uma série de experiencias para entender o grau de predação da onça contra essa espécie, para comprovar em dados científicos aos fazendeiros que há sim como reduzir a taxa de predação da onça-pintada”, reforçou João. Mais de 500 embriões puros de gado pantaneiro forma produzidos e serão implantados em fêmeas da raça nelore para o estudo da primeira ninhada analisada.
“Os filhotes devem nascer no começo de 2024. Será a primeira leva de pantaneiros do projeto que deve durar alguns anos. A pesquisa ainda tem mais 500 doses de sêmen desse gado que deve ser usado para acelerar a produção de indivíduos da espécie para assegurar a continuidade da raça”.
As análises serão puramente cientificas, ou seja, os animais utilizados no estudo não serão abatidos e comercializados. “A única forma de monetizar a espécie será agregar na observação da raça, com o intuito de enriquecer a experiência do turismo”.